Maria Padilha: a história da rainha das Pombagiras
Maria Padilha é a Pombagira mais conhecida do Brasil, chamada muitas vezes de rainha das Pombagiras. Elegante, forte e cheia de mistério, ela trabalha com o amor, a autoestima, a prosperidade e a proteção. Sua falange reúne diversas Marias Padilhas, como Maria Padilha das Almas, Maria Padilha do Cabaré, Maria Padilha das Sete Encruzilhadas e Maria Padilha Rainha. A saudação é Laroyê, Maria Padilha!
A ligação com María de Padilla
A tradição liga Maria Padilha a uma mulher real: María de Padilla, uma nobre espanhola que viveu entre 1334 e 1361 e foi a grande companheira do rei Pedro I de Castela, conhecido como Pedro, o Cruel. O rei era casado por razões políticas com a princesa francesa Branca de Bourbon, mas abandonou a esposa poucos dias após o casamento para viver com María, com quem teve quatro filhos.
Por causa da influência que tinha sobre o rei, María de Padilla foi acusada pelos inimigos de usar feitiçaria para dominá-lo. A lenda se espalhou pela Espanha e por Portugal, e seu nome passou a aparecer em orações e encantamentos amorosos populares. Esses encantamentos chegaram ao Brasil com os portugueses e, com o tempo, o nome Maria Padilha se uniu à figura da Pombagira.
Depois da morte de María, o rei reconheceu publicamente que tinha se casado com ela em segredo e a declarou rainha, fazendo de seus filhos herdeiros legítimos. É daí que vem a associação de Maria Padilha com a realeza.
A história contada nos terreiros
Nos terreiros, as narrativas sobre a vida de Maria Padilha variam muito, já que cada espírito da falange tem sua própria trajetória. Algumas contam a história da nobre espanhola. Outras falam de mulheres que viveram no Brasil colonial ou nos cabarés do início do século XX, mulheres que amaram intensamente, que foram julgadas pela sociedade e que conheceram tanto o luxo quanto a solidão.
Como Maria Padilha trabalha
Na gira, Maria Padilha chega com elegância, gargalhada marcante e postura de rainha. Usa vestidos vermelhos e pretos, coroa ou tiara, joias, leque e taça de champanhe. É procurada para questões amorosas, mas seu trabalho vai muito além. Ela ensina as pessoas a se valorizar, a não aceitar menos do que merecem, a sair de relações que fazem mal e a recuperar a confiança. Também atua na prosperidade e na proteção contra inveja.
Cores e oferendas
As cores de Maria Padilha são o vermelho, o preto e o dourado. As oferendas incluem rosas vermelhas, champanhe, cigarrilhas, perfume, batom vermelho, maçã, joias simples e velas vermelhas. Tudo deve ser entregue com pedido de licença e com uma intenção clara e honesta.
As falanges de Maria Padilha
Por ser uma das Pombagiras mais conhecidas, Maria Padilha reúne muitas falanges, cada uma ligada a um campo de atuação. Maria Padilha das Almas trabalha no cemitério, sob a vibração de Omulu. Maria Padilha do Cabaré atua nas questões amorosas e de autoestima. Maria Padilha das Sete Encruzilhadas cuida dos caminhos. Maria Padilha Rainha do Cruzeiro, Maria Padilha da Figueira e Maria Padilha das Sete Catacumbas são outras falanges conhecidas. Cada uma tem características e preferências próprias.
Maria Padilha na literatura e na música
A figura de María de Padilla inspirou romances, peças de teatro e óperas na Europa, como a ópera Maria Padilla, do compositor italiano Gaetano Donizetti, de 1841. No Brasil, Maria Padilha aparece em canções populares, pontos cantados e na literatura sobre religiões afro-brasileiras. A pesquisadora Marlyse Meyer escreveu um estudo clássico sobre a passagem da personagem espanhola para os terreiros brasileiros.
O que Maria Padilha ensina
Maria Padilha ensina que a mulher pode ser dona do próprio destino. Sua história fala de uma mulher que viveu um amor fora das regras, que foi acusada de feitiçaria por quem não aceitava sua influência e que, no fim, foi reconhecida como rainha. Na espiritualidade, ela ensina a não aceitar menos do que se merece, a cuidar da própria beleza e da própria força e a não se curvar ao julgamento alheio.
Maria Padilha e o respeito
Maria Padilha costuma ser exigente com o respeito. Na gira, gosta de ser cumprimentada com cortesia e de ser tratada como uma rainha. Os médiuns contam que ela não tolera grosserias nem mentiras e que, quando percebe más intenções, recusa o pedido. Por outro lado, é generosa com quem chega com sinceridade.
Como pedir ajuda a Maria Padilha
Fora do terreiro, muitas pessoas acendem uma vela vermelha, colocam ao lado uma rosa vermelha aberta e uma taça de champanhe e fazem uma oração pedindo amor-próprio, prosperidade e proteção. Oferendas mais elaboradas devem ser feitas com orientação de um terreiro.
Perguntas frequentes sobre Maria Padilha
Maria Padilha existiu? A nobre espanhola María de Padilla existiu e viveu no século XIV. A ligação dela com a Pombagira faz parte da tradição religiosa.
Maria Padilha faz amarração? Na Umbanda séria, não. Ela trabalha com autoestima, prosperidade e abertura de caminhos.
Qual a saudação de Maria Padilha? Laroyê, Maria Padilha!
Qual a cor de Maria Padilha? Vermelho, preto e dourado.
Os pontos riscados de Maria Padilha
O ponto riscado de Maria Padilha costuma ter tridentes de pontas arredondadas, rosas, coroas, luas e corações. Esses símbolos representam sua realeza, seu poder sobre o amor e sua ligação com a noite. O ponto é usado para firmar sua presença na gira e para direcionar trabalhos de autoestima, prosperidade e proteção.
Maria Padilha e a Quimbanda
Além da Umbanda, Maria Padilha é muito cultuada na Quimbanda, tradição que trabalha exclusivamente com Exus e Pombagiras. Na Quimbanda, ela ocupa um lugar de destaque e é vista como uma das rainhas do reino das Pombagiras. As formas de culto variam entre as tradições, mas o respeito à sua figura é comum a todas.
Maria Padilha e a autoestima
Muitas pessoas que procuram Maria Padilha chegam em momentos de fragilidade: depois de uma separação, de uma traição ou de um período de baixa autoestima. Os relatos dos terreiros contam que ela costuma elogiar, incentivar e lembrar o consulente de seu próprio valor. Também pode dar broncas firmes em quem insiste em relações que fazem mal. Essa combinação de carinho e firmeza é uma de suas marcas.
Como se comportar numa consulta com Maria Padilha
Ao se aproximar de Maria Padilha, o consulente costuma cumprimentá-la com respeito e elegância, como se estivesse diante de uma rainha. Ela gosta de ser elogiada e de conversar com quem chega com sinceridade. O ideal é falar abertamente sobre os sentimentos e estar disposto a ouvir verdades. Muitos saem da consulta com orientações sobre amor-próprio e escolhas afetivas.
O dia de Maria Padilha
Muitos terreiros fazem festa para Maria Padilha e para as Pombagiras em geral em datas próximas às festas de Exu, geralmente em agosto ou em novembro. Algumas casas escolhem a sexta-feira, à noite, para as giras de Pombagira. Nessas ocasiões, o salão é decorado com rosas vermelhas, tecidos brilhantes e velas.
Conclusão
Maria Padilha é muito mais do que a imagem de sedução que muitos associam a ela. Sua história, que atravessa séculos e continentes, fala de uma mulher que amou, que foi julgada e que, no fim, foi reconhecida como rainha. Nos terreiros, ela ensina autoestima, coragem e liberdade, e acolhe quem precisa reencontrar o próprio valor. Conhecê-la de verdade é um passo importante para superar o preconceito contra as Pombagiras.
Laroyê, Maria Padilha!