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Guias

Cores das guias de cada Orixá e entidade na Umbanda: significado e tabela completa

22 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

As guias são colares de contas usados pelos umbandistas como proteção, identificação e ligação com os Orixás e as entidades. Também chamadas de fios de contas, colares ou, no Candomblé, de ilekes, elas carregam as cores, os materiais e a energia de cada força espiritual. Saber a cor da guia de cada Orixá ajuda a entender a simbologia da religião e a escolher, com orientação do terreiro, a guia adequada para cada pessoa.

O que é uma guia na Umbanda

A guia é muito mais do que um enfeite. Ela é considerada um instrumento de proteção e de ligação espiritual. Depois de preparada e consagrada, a guia passa a carregar a energia do Orixá ou da entidade a quem foi dedicada. Os médiuns usam suas guias nas giras, durante os trabalhos espirituais, e muitas pessoas as usam no dia a dia como forma de proteção. Cada guia tem um tamanho, uma composição e uma forma de uso definidos pelos fundamentos do terreiro.

Por que as cores variam

Quem pesquisa sobre as cores das guias logo percebe que elas mudam de um terreiro para outro. Isso acontece porque a Umbanda é uma religião descentralizada, formada a partir de várias tradições, e cada casa segue os fundamentos que recebeu de seus fundadores. Algumas casas seguem cores mais próximas do Candomblé, outras desenvolveram suas próprias correspondências. As cores apresentadas aqui são as mais comuns, mas a orientação do seu terreiro deve sempre prevalecer.

Tabela de cores das guias dos Orixás

Orixá Cores mais comuns na Umbanda Observação
Oxalá Branco Contas brancas, cristal ou leitosas
Iemanjá Azul-claro, branco e cristal Em algumas casas, contas transparentes
Oxum Amarelo e dourado Contas amarelas translúcidas ou douradas
Ogum Vermelho ou azul-escuro Vermelho na Umbanda, azul no Candomblé
Oxóssi Verde ou azul-turquesa Verde na maior parte das casas de Umbanda
Xangô Marrom, vermelho e branco Alternância de vermelho e branco é comum
Iansã Amarelo, vermelho ou coral Marrom-avermelhado no Candomblé
Nanã Lilás e roxo Algumas casas usam branco com azul
Obaluaiê e Omulu Preto, branco e vermelho Contas rajadas e palha da costa
Oxumaré Verde e amarelo Em algumas casas, todas as cores
Ewá Vermelho-coral e rosa Culto mais presente no Candomblé
Obá Vermelho e dourado Algumas casas usam marrom
Logunedé Azul-turquesa e amarelo União das cores de Oxóssi e Oxum
Ossaim Verde e branco Em algumas casas, verde e amarelo
Ibeji Rosa e azul-claro Também guias coloridas
Exu Vermelho e preto Contas alternadas

Tabela de cores das guias das entidades

Linha ou entidade Cores e materiais mais comuns
Caboclos Verde, sementes, dentes de animais e penas
Pretos-Velhos Branco e preto, lágrimas de Nossa Senhora, coquinhos e cruz
Crianças Rosa, azul-claro e contas coloridas
Exus Vermelho e preto, às vezes com tridente
Pombagiras Vermelho, preto e dourado
Baianos Amarelo, branco e coquinhos
Boiadeiros Marrom, amarelo e sementes
Marinheiros Azul e branco, conchas e búzios
Ciganos Várias cores, dourado e moedas
Malandros Branco e vermelho

O significado das cores

Cada cor tem um significado ligado à natureza e à personalidade do Orixá. O branco de Oxalá representa a paz, a pureza e a união de todas as cores. O azul-claro de Iemanjá lembra o mar e o céu, a calma e o acolhimento. O amarelo e o dourado de Oxum remetem ao ouro, à riqueza e à luz do sol refletida nas águas doces. O vermelho de Ogum representa a força, a coragem e o sangue dos guerreiros, enquanto o azul-escuro, usado em muitas casas, lembra o brilho do ferro.

O verde de Oxóssi é a cor das matas, da fartura e da esperança. O marrom de Xangô lembra as pedreiras e a firmeza da terra, e o vermelho e branco, o fogo e a justiça. O amarelo e o vermelho de Iansã representam o fogo, os raios e a intensidade dos ventos. O lilás e o roxo de Nanã falam de sabedoria, de mistério e da passagem entre a vida e a morte. O preto, o branco e o vermelho de Omulu representam a doença, a cura e a transformação.

O vermelho e o preto de Exu e das Pombagiras representam a força vital, o movimento, a noite e a proteção. Não têm relação com o mal, mas com a energia ativa que guarda os caminhos.

Os materiais das guias

As guias podem ser feitas com diferentes materiais. As contas de vidro, chamadas de miçangas ou missangas, são as mais comuns. As contas de cristal, muito usadas para Oxalá e Iemanjá, são consideradas mais nobres. As contas de louça, de porcelana e de resina também aparecem. Para os Pretos-Velhos e os Caboclos, são usados materiais naturais, como sementes, coquinhos, lágrimas de Nossa Senhora, dentes, ossos e penas. Os Marinheiros usam conchas e búzios, e os Ciganos usam moedas e pedras.

Algumas guias também levam firmas, contas maiores que marcam o início, o fim ou a divisão do colar, e fechos que podem ser de metal ou de linha. Os fios usados para montar as guias costumam ser de náilon, de algodão encerado ou de aço revestido.

Guias de Orixá de cabeça

Na Umbanda, é comum que o médium use a guia do seu Orixá de cabeça, também chamado de pai ou mãe de cabeça. Essa guia costuma ser a primeira que ele recebe no terreiro e tem um significado especial de proteção e de identidade. Para descobrir o Orixá de cabeça, o médium passa pela orientação do dirigente espiritual, que pode usar o jogo de búzios, a consulta aos guias ou a observação ao longo do tempo.

Guias de proteção para o dia a dia

Pessoas que não são médiuns também podem usar guias, desde que orientadas por um terreiro. Muitas pessoas usam uma guia de Oxalá, de Iemanjá ou do Orixá que as rege como proteção no dia a dia. A tradição recomenda que essas guias sejam preparadas e consagradas, e não apenas compradas e colocadas no pescoço.

Perguntas frequentes sobre as cores das guias

Qual a cor da guia de Ogum? Vermelho na maior parte das casas de Umbanda, e azul-escuro no Candomblé e em algumas casas umbandistas.

Qual a cor da guia de Oxóssi? Verde, principalmente, e azul-turquesa em algumas casas.

Posso usar a guia de um Orixá que não é o meu? Com orientação do terreiro, sim. Algumas guias são usadas por todos, como as de Oxalá.

Guia vermelha e preta é do mal? Não. É a cor dos Exus e das Pombagiras, guardiões que trabalham para a proteção.

Conclusão

As cores das guias são parte da linguagem simbólica da Umbanda. Cada cor carrega a energia de um Orixá ou de uma entidade e conta um pouco da sua história e da sua natureza. Conhecer esse significado ajuda a usar as guias com mais consciência e respeito, sempre seguindo a orientação do terreiro que você frequenta.

Quantas contas tem uma guia

O número de contas também tem significado. Muitas casas montam as guias com números ligados aos Orixás, como sete, catorze, vinte e um ou múltiplos desses números. Algumas tradições associam números específicos a cada Orixá, como o oito para Oxalá ou o sete para Ogum. A orientação do dirigente define a quantidade.

Guias de Exu e Pombagira

As guias de Exu e Pombagira merecem atenção especial. Muitas casas recomendam que elas sejam usadas apenas durante as giras ou em situações específicas orientadas pelos guias, e não no dia a dia. Também é comum que essas guias tenham pingentes, como tridentes, e que sejam guardadas separadas das guias da direita.