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Entidades

Crianças na Umbanda: quem são os Erês, a Ibejada e a festa de Cosme e Damião

22 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

A linha das Crianças, também chamada de Erês, Ibejada ou Beijada, reúne espíritos que se apresentam com a pureza, a alegria e a espontaneidade da infância. São entidades de grande luz, que trazem leveza às giras e trabalham com cura, limpeza e harmonia familiar. A saudação às Crianças é Onibeijada! ou Salve as Crianças!

Origem

A linha das Crianças é regida pelos Ibejis, os Orixás gêmeos, e no sincretismo católico está ligada a São Cosme e São Damião, médicos gêmeos que, segundo a tradição cristã, atendiam os doentes sem cobrar. Na Umbanda, as Crianças são espíritos que podem ter vivido pouco tempo na Terra ou que escolheram se apresentar na forma infantil para trabalhar com a energia da inocência.

Como as Crianças trabalham

Na gira, as Crianças chegam rindo, brincando, sentando no chão, pedindo doces, refrigerante e brinquedos. Por trás da brincadeira há um trabalho sério. Elas aliviam tristezas, desmancham energias pesadas, ajudam em problemas de família, na saúde das crianças e em questões de fertilidade. Muitos médiuns dizem que a gira de Crianças é uma das mais eficazes para limpar o ambiente.

Nomes mais conhecidos

Entre os nomes mais conhecidos estão Cosme, Damião e Doum, além de Pedrinho, Mariazinha, Zezinho, Ritinha, Joãozinho, Luizinho, Crispim e Crispiniano. Cada Criança costuma ter um jeito próprio: algumas são tímidas, outras travessas, outras muito falantes.

Doum, o irmãozinho

Doum aparece sempre ao lado de Cosme e Damião. Nas narrativas dos terreiros, ele seria uma criança que acompanhava os gêmeos em vida, ou um irmão mais novo. Na tradição iorubá, a criança nascida depois de gêmeos se chama Idowu, nome que pode ter dado origem a Doum. Ele representa também todas as crianças que partiram cedo.

A festa de Cosme e Damião

A festa da linha das Crianças acontece em 27 de setembro, dia de São Cosme e São Damião. É tradição distribuir saquinhos de doces para as crianças da vizinhança e oferecer o caruru, um prato de quiabo servido em grandes festas, especialmente na Bahia. Muitos terreiros fazem giras abertas cheias de bolos, balas e alegria.

Cores e oferendas

As cores das Crianças são o rosa e o azul-claro, e em muitas casas todas as cores alegres. Suas oferendas são doces, frutas, guaraná, bolos, pipoca doce, cocada e brinquedos. A tradição pede que as oferendas sejam compartilhadas com crianças de verdade sempre que possível.

A gira de Crianças

A gira de Crianças é uma das mais alegres do calendário dos terreiros. O salão é enfeitado com balões, bolos e doces, e os pontos cantados falam de brincadeiras, de jardins, de mães e de Cosme e Damião. Os médiuns incorporados se sentam no chão, brincam com bonecas e carrinhos, chupam pirulitos e conversam com os consulentes como crianças. Mesmo quem chega triste costuma sair sorrindo.

Por trás dessa alegria, porém, há um trabalho espiritual intenso. A tradição diz que as Crianças conseguem desfazer energias que outras linhas teriam dificuldade de alcançar, justamente porque atuam com a pureza.

Por que as Crianças falam errado

Muitas Crianças falam trocando letras, com voz infantil e palavras inventadas. Isso faz parte da forma como se apresentam e ajuda a criar o clima de leveza da gira. Por trás das palavras simples, porém, costumam vir recados importantes. Os médiuns mais experientes dizem que as Crianças têm uma sinceridade desarmante e falam o que outras entidades talvez dissessem com mais cuidado.

As Crianças e a família

As Crianças são muito procuradas para questões familiares. Ajudam em brigas entre pais e filhos, em dificuldades na escola, em problemas de saúde dos pequenos e em pedidos de gravidez. Também são invocadas para trazer alegria a casas onde há muita tristeza ou luto. Muitos consulentes contam que, depois de uma consulta com uma Criança, a energia da casa ficou mais leve.

O que as Crianças ensinam

As Crianças ensinam a importância da alegria, da simplicidade e da confiança. Elas lembram que a vida adulta não precisa ser pesada o tempo todo e que é possível encarar os problemas com leveza. Também ensinam a generosidade: os doces que recebem são sempre compartilhados.

Como pedir ajuda às Crianças

Para se conectar com as Crianças fora do terreiro, muitas pessoas acendem uma vela rosa e outra azul, colocam ao lado um copo de guaraná e alguns doces e fazem uma oração pedindo alegria, saúde e proteção para as crianças da família. Depois, os doces são distribuídos a crianças. Doar brinquedos e ajudar instituições que cuidam da infância também são formas de honrar essa linha.

Cuidados na gira de Crianças

Como as Crianças consomem muito doce e refrigerante, os terreiros costumam orientar os médiuns a cuidar da alimentação nos dias de gira. Também se recomenda atenção com consulentes que levam crianças pequenas, para que não haja excesso de açúcar. A alegria da gira deve vir acompanhada de responsabilidade.

Perguntas frequentes sobre as Crianças

Erês e Crianças são a mesma coisa? Na Umbanda, os termos costumam ser usados como sinônimos. No Candomblé, erê tem outro significado, ligado ao estado infantil do iniciado.

Qual a saudação das Crianças? Onibeijada! ou Salve as Crianças!

Qual o dia das Crianças na Umbanda? 27 de setembro, dia de Cosme e Damião.

As Crianças são espíritos de crianças que morreram? Algumas narrativas dizem que sim. Outras dizem que são espíritos que escolheram se apresentar dessa forma.

Os pontos cantados das Crianças

Os pontos cantados das Crianças são alegres e fáceis de cantar, com melodias que lembram cantigas de roda. Falam de doces, de jardins, de barquinhos, de mães e de anjos. Muitos terreiros usam esses pontos para encerrar giras pesadas, trazendo leveza ao ambiente.

As Crianças e os Orixás

As Crianças trabalham sob a vibração dos Ibejis, mas também podem estar ligadas a outros Orixás. Há Crianças de Iemanjá, de Oxum, de Ogum e de Oxóssi, cada uma com características próprias. As Crianças de Iemanjá costumam ser mais calmas, enquanto as de Ogum são mais agitadas e brincalhonas.

O caruru dos Erês

Na Bahia, a festa das Crianças é marcada pelo caruru, um prato feito com quiabo, camarão seco, amendoim, castanha e dendê, servido com acompanhamentos como vatapá, feijão-fradinho, farofa e pipoca. A tradição manda servir primeiro sete crianças, sentadas no chão, que comem com as mãos. Só depois os adultos se servem. O caruru é oferecido como pagamento de promessas e em agradecimento a Cosme e Damião.

Crianças, médiuns e responsabilidade

As Crianças lembram também a responsabilidade dos médiuns. Mesmo numa gira alegre, o trabalho espiritual exige concentração, preparo e respeito. Os dirigentes dos terreiros costumam orientar que a brincadeira nunca ultrapasse os limites e que o atendimento aos consulentes seja feito com seriedade.

Como se comportar numa consulta com uma Criança

Ao conversar com uma Criança, o consulente pode se abaixar, sorrir e entrar na brincadeira. Não é preciso formalidade, mas é preciso respeito. Muitas vezes, a Criança faz perguntas simples que levam a reflexões profundas. É comum sair da consulta com um doce, que deve ser comido com fé ou dado a uma criança, conforme a orientação recebida.

A importância de setembro

O mês de setembro é especialmente movimentado nos terreiros por causa das festas de Cosme e Damião. Muitas casas fazem giras abertas durante todo o mês, recebendo famílias, crianças e visitantes de outras religiões.

Assim, a linha das Crianças mostra que a pureza e a alegria também são formas de cura.

Conhecer essa linha é também redescobrir a importância de brincar, de rir e de confiar.