Exus na Umbanda: quem são os guardiões, história, nomes e como trabalham
Os Exus da Umbanda são espíritos guardiões que trabalham na chamada linha da esquerda. Eles protegem os terreiros, os médiuns e as pessoas que buscam ajuda, cortam demandas, afastam energias negativas e abrem caminhos. São os primeiros a serem saudados em uma gira e os responsáveis pela segurança espiritual de tudo o que acontece. A saudação é Laroyê, Exu! ou Exu é Mojubá!
Exu entidade e Exu Orixá
O Orixá Exu é uma divindade iorubá, o mensageiro entre o mundo humano e o mundo dos Orixás. Os Exus que se manifestam na Umbanda são espíritos desencarnados que trabalham sob a vibração desse Orixá. Eles viveram na Terra, muitas vezes tiveram vidas difíceis ou intensas, e hoje trabalham para evoluir por meio da caridade e da proteção.
Origem e história
Nas narrativas dos terreiros, muitos Exus contam ter sido homens que viveram nas ruas, nos portos, nas estradas, nos cemitérios e nas cidades. Alguns falam de vidas de boemia, de brigas e de erros. Outros dizem ter sido soldados, comerciantes, médicos ou nobres. Em comum, todos encontraram na linha de Exu uma forma de reparar o passado e de servir.
Durante muito tempo, os Exus foram associados ao diabo por causa da visão colonial e cristã. Na Umbanda, essa leitura é rejeitada. Exu não faz o mal. Ele executa a lei, protege e cobra o que é justo.
Como os Exus trabalham
Na gira, os Exus chegam com gargalhadas fortes, postura firme e olhar atento. Usam capa, cartola, bengala, charuto e bebidas como cachaça, uísque ou conhaque. Conversam de forma direta e às vezes irônica, sem rodeios. Trabalham com descarrego, quebra de demandas, proteção do lar, abertura de caminhos e orientação em temas práticos da vida.
Nomes mais conhecidos
Entre os Exus mais conhecidos estão Exu Tranca-Ruas, Exu Sete Encruzilhadas, Exu Tiriri, Exu Marabô, Exu Caveira, Exu Veludo, Exu Capa Preta, Exu Sete Facadas, Exu do Lodo, Exu Morcego, Exu Zé Pelintra (em algumas casas), Exu Tatá Caveira e Exu Calunga. Cada nome indica o campo de atuação: as ruas, as encruzilhadas, os cemitérios, as matas, as águas.
Os reinos de Exu
Na Umbanda, fala-se em reinos de atuação. Há Exus das encruzilhadas, que cuidam dos caminhos; Exus das almas e do cemitério, ligados a Omulu e responsáveis pelos espíritos que precisam de encaminhamento; Exus das matas, das águas, das praias e das ruas. Essa divisão ajuda a entender por que um Exu é chamado para um trabalho e não outro.
Cores, dia e oferendas
As cores dos Exus são o vermelho e o preto. O dia mais comum de gira é a segunda-feira, e em algumas casas a sexta-feira. As oferendas incluem farofa de dendê, cachaça, charuto, velas pretas e vermelhas, pimenta e carne, sempre entregues com pedido de licença, em local apropriado e com respeito à natureza.
A gira de Exu
A gira de Exu costuma acontecer à noite e tem um clima próprio. O ritmo dos atabaques é intenso, os pontos cantados falam de encruzilhadas, cemitérios, estradas e madrugadas, e o salão é iluminado por velas vermelhas e pretas. Os médiuns incorporados gargalham, cumprimentam os consulentes com firmeza e conversam com franqueza. Muitas pessoas se surpreendem ao perceber que os Exus são educados, respeitosos e muito atentos aos detalhes da vida de quem os procura.
A gargalhada de Exu
A gargalhada é uma das marcas dos Exus. Ela não é deboche. Segundo os médiuns, a gargalhada movimenta a energia do ambiente, quebra cargas negativas e ajuda a firmar a incorporação. É também uma forma de mostrar que os Exus não temem as energias densas com que trabalham.
Exu cobra?
Uma dúvida comum é se os Exus cobram pelos trabalhos que fazem. Na Umbanda, a orientação é clara: o atendimento é gratuito e nenhum guia deve pedir dinheiro. O que os Exus pedem, às vezes, são oferendas simples, como uma vela, uma bebida ou um charuto, como forma de troca energética e de reconhecimento. Desconfie de quem cobra valores altos em nome de Exu.
Exu faz o mal?
Na Umbanda, os Exus trabalham dentro da lei divina e não fazem o mal. Eles podem cortar demandas, afastar inimigos espirituais e devolver energias negativas a quem as enviou, mas sempre dentro do que é justo. Trabalhos para prejudicar alguém, amarrar uma pessoa ou causar doenças não fazem parte da Umbanda séria. Os próprios Exus costumam dizer que quem pede o mal recebe o mal de volta.
O que os Exus ensinam
Os Exus ensinam responsabilidade, coragem e sinceridade. Eles costumam falar sem rodeios, mostrando ao consulente onde ele está errando e o que precisa mudar. Ensinam também que cada escolha tem consequências e que não adianta pedir ajuda espiritual sem fazer a própria parte. Para muitos umbandistas, os Exus são os conselheiros mais práticos e realistas do terreiro.
Como pedir proteção aos Exus
Fora do terreiro, a forma mais segura de se conectar com os Exus é acender uma vela vermelha e preta, ou uma vela branca, pedindo licença e proteção para o lar e para os caminhos. Oferendas mais elaboradas devem ser feitas apenas com orientação de um terreiro. Firmar a casa de Exu, quando existe, também exige preparo.
Perguntas frequentes sobre os Exus
Qual a diferença entre Exu e Exu Mirim? Os Exus Mirins se apresentam com aparência infantil e trabalham com rapidez e leveza nas energias densas.
Qual a saudação dos Exus? Laroyê, Exu! ou Exu é Mojubá!
Qual o dia dos Exus? A segunda-feira é o dia mais comum.
Todo terreiro tem gira de Exu? A maioria tem, mas a frequência varia de casa para casa.
Os pontos riscados dos Exus
Os pontos riscados dos Exus costumam ter tridentes, cruzes, setas, chaves, caveiras e linhas cruzadas. O tridente é um dos símbolos mais conhecidos: seus três dentes representam o poder sobre os caminhos e a capacidade de atuar em diferentes direções. Diferente do imaginário cristão, na Umbanda o tridente não tem relação com o diabo, mas com a função de guardião. O tridente com pontas retas é associado aos Exus, e o de pontas arredondadas, às Pombagiras.
Exus e Orixás
Cada Exu trabalha sob a vibração de um ou mais Orixás. Tranca-Ruas está ligado a Ogum, Exu Caveira a Omulu, Exu Marabô a Oxóssi, Exu Sete Encruzilhadas a Exu Orixá, Exu Gira-Mundo a Iansã, e assim por diante. Essa relação ajuda a entender como cada guardião atua e quais situações costuma resolver.
Como se comportar numa consulta com um Exu
Ao se aproximar de um Exu, o consulente costuma cumprimentá-lo com respeito, dizendo Laroyê! Não é preciso ter medo, mas é importante ser honesto. Os Exus percebem rapidamente quando alguém está mentindo ou escondendo algo. Também não se deve fazer pedidos para prejudicar outras pessoas, porque, segundo a tradição, o guardião recusa esse tipo de pedido e alerta sobre as consequências.
A casa de Exu
A casa de Exu, também chamada de tronqueira, é o espaço onde ficam os assentamentos dos guardiões do terreiro. Costuma ser uma pequena construção perto da entrada, com velas, bebidas, imagens e ferramentas. É ali que os médiuns pedem licença antes de começar os trabalhos e que se fazem as oferendas aos Exus. A casa de Exu deve ser tratada com respeito e só pode ser cuidada por pessoas autorizadas pelo dirigente.
Conhecer os Exus com informação e respeito é o melhor caminho para desfazer os preconceitos que ainda cercam essa linha.
Com respeito e informação, a relação com os Exus se torna fonte de proteção e de aprendizado.