Pular para o conteúdo
Filha da Umbanda@filhadaumbanda1985
Siga no Instagram
Curiosidades

O que são rituais na Umbanda: conheça os principais

21 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

Os rituais são formas organizadas de expressar a fé, de se conectar com o sagrado e de marcar momentos importantes da vida. Na Umbanda, eles estão presentes no dia a dia dos terreiros, nas giras, nas festas e nos momentos de passagem, como o nascimento, o casamento e a morte. Neste texto, explicamos o que são os rituais na Umbanda e apresentamos os principais.

O que é um ritual

Um ritual é uma sequência de gestos, palavras, cânticos e elementos realizados com uma intenção sagrada. Ele cria um espaço e um tempo diferentes do cotidiano, em que as pessoas se colocam em contato com o espiritual. Na Umbanda, os rituais seguem os fundamentos de cada terreiro, mas têm elementos comuns, como a defumação, as orações, os pontos cantados, os atabaques, as velas e as ervas.

A gira

A gira é o ritual mais conhecido da Umbanda. É a sessão de trabalho espiritual em que os médiuns incorporam as entidades para atender os consulentes. A gira começa com a defumação, segue com orações, saudações aos Orixás e a Exu, pontos cantados de abertura e a chegada das entidades. Depois, acontece o atendimento ao público. Ao final, as entidades se despedem, faz-se a oração de encerramento e agradece-se. Cada gira costuma ser dedicada a uma linha, como Caboclos, Pretos-Velhos, Crianças ou Exus.

A defumação

A defumação é o ritual de limpeza com a fumaça de ervas queimadas. Ela abre todas as giras e também pode ser feita em casas, comércios e pessoas. A fumaça limpa as energias negativas e prepara o ambiente para os trabalhos.

O amaci

O amaci é um banho de ervas maceradas aplicado na cabeça do médium. Ele fortalece a ligação com os Orixás e os guias, limpa e equilibra o Ori. O amaci costuma ser feito em momentos específicos do desenvolvimento mediúnico, com ervas escolhidas de acordo com o Orixá de cabeça do médium. Depois do amaci, o médium costuma manter resguardo, evitando bebidas alcoólicas, relações sexuais e ambientes pesados por alguns dias.

O batismo

O batismo na Umbanda é um ritual de apresentação da pessoa aos Orixás e aos guias. Pode ser feito em crianças e adultos. Geralmente, a pessoa é levada ao Congá, recebe água consagrada na cabeça, às vezes com ervas, e tem padrinhos escolhidos. O batismo é feito pelo dirigente ou pelos guias incorporados e marca a entrada da pessoa na comunidade religiosa.

O casamento

Muitos terreiros realizam casamentos religiosos na Umbanda. A cerimônia é conduzida pelo dirigente ou pelos guias, com orações, pontos cantados, bênçãos dos Orixás e troca de alianças. Os noivos costumam vestir branco. Em alguns estados, o casamento religioso umbandista pode ter efeito civil, desde que siga os procedimentos legais do registro civil.

O cruzamento e a coroação

O cruzamento é o ritual de consagração do médium, de suas guias e de seus objetos. A coroação é um ritual mais avançado, em que o médium, depois de anos de desenvolvimento, recebe a confirmação de seu Orixá de cabeça e, em algumas casas, a autorização para dirigir trabalhos ou abrir seu próprio terreiro. Esses rituais variam muito de terreiro para terreiro.

Bater cabeça

Bater cabeça é o gesto de se curvar diante do Congá, encostando a cabeça no chão, em sinal de respeito, humildade e entrega. É feito pelos médiuns no início e no fim das giras.

As oferendas

As oferendas, também chamadas de entregas ou ebós, são rituais em que se oferecem comidas, flores, velas e bebidas aos Orixás e às entidades. Podem ser feitas no terreiro ou na natureza, em lugares ligados a cada Orixá, como o mar para Iemanjá, a cachoeira para Oxum e a mata para Oxóssi.

As festas

As festas são rituais de celebração dos Orixás e das entidades em suas datas especiais. As mais conhecidas são a festa de Iemanjá, em 2 de fevereiro, a de Ogum, em 23 de abril, a dos Pretos-Velhos, em 13 de maio, a de Cosme e Damião, em 27 de setembro, e a de Iansã, em 4 de dezembro. Nessas ocasiões, os terreiros são decorados, há comidas típicas, giras festivas e muita alegria.

Os rituais de limpeza

Além da defumação, a Umbanda tem outros rituais de limpeza, como os banhos de ervas, o banho de pipoca de Omulu, o sacudimento e os passes. O passe é a imposição das mãos do médium ou da entidade sobre o consulente, transmitindo energia e retirando cargas negativas.

Os rituais fúnebres

Quando um médium falece, muitos terreiros realizam rituais de despedida, com orações, pontos cantados e o desligamento dos guias. Esses rituais ajudam o espírito a fazer sua passagem e confortam a família e a comunidade. No Candomblé, existe o axexê, ritual fúnebre específico para os iniciados.

As Águas de Oxalá e as lavagens

Algumas casas de Umbanda, influenciadas pelo Candomblé, realizam as Águas de Oxalá, ritual em que os filhos carregam água em silêncio para lavar os objetos sagrados. As lavagens de escadarias de igrejas, como a Lavagem do Bonfim, também são rituais populares ligados a essa tradição.

Perguntas frequentes sobre os rituais

Qual o principal ritual da Umbanda? A gira.

O que é amaci? Um banho de ervas na cabeça do médium.

A Umbanda faz casamento? Sim, muitos terreiros realizam.

Qualquer pessoa pode participar das giras? Sim. As giras de atendimento são abertas ao público.

Conclusão

Os rituais da Umbanda são a forma como a religião expressa sua fé, sua ligação com os Orixás e os guias e seu compromisso com a caridade. Da gira semanal às grandes festas, do batismo ao casamento, cada ritual tem seu significado e sua beleza. Conhecê-los ajuda a compreender a riqueza da Umbanda e a participar com mais consciência e respeito.

A importância dos pontos cantados nos rituais

Os pontos cantados são parte essencial de quase todos os rituais da Umbanda. Eles são cânticos que chamam os Orixás e as entidades, contam suas histórias, marcam os momentos da gira e ajudam a criar a vibração necessária para o trabalho espiritual. Os atabaques, tambores tocados pelos ogãs, acompanham os pontos e dão ritmo ao ritual. Existem pontos de abertura, de defumação, de chegada, de trabalho, de subida e de encerramento.

Os pontos riscados

Outro elemento presente em muitos rituais são os pontos riscados, desenhos feitos com pemba no chão ou numa tábua. Cada entidade tem seu ponto riscado, que funciona como uma assinatura espiritual e ajuda a firmar sua presença no terreiro. Os pontos riscados também são usados em trabalhos específicos, como limpezas e proteções.

O resguardo depois dos rituais

Depois de alguns rituais, como o amaci, o batismo e a coroação, os médiuns costumam manter um período de resguardo, chamado também de preceito. Durante esse tempo, evitam bebidas alcoólicas, carne vermelha, relações sexuais e ambientes pesados. O resguardo ajuda a preservar a energia recebida e a fortalecer a ligação com os Orixás e os guias.

O desenvolvimento mediúnico como ritual

O desenvolvimento mediúnico também é vivido como um processo ritual. O médium iniciante participa das giras de desenvolvimento, aprende os pontos cantados, os gestos, as saudações e os fundamentos da casa, passa por amacis e cruzamentos e, aos poucos, vai sendo preparado para atender. Cada etapa é marcada por rituais que reforçam o compromisso com a caridade e com a espiritualidade.

Para quem está chegando, observar os rituais com atenção, perguntar aos mais velhos e respeitar o tempo de aprendizado é a melhor forma de começar.