Logunedé: o filho de Oxum e Oxóssi, sua história e seus fundamentos
Logunedé, também escrito Logun Edé, é o Orixá jovem que une a doçura das águas de Oxum à habilidade de caçador de Oxóssi. É príncipe, belo, astuto e cheio de energia. Sua saudação é Logun Ô Akofá!, que se refere ao arco e flecha que ele herdou do pai. No Brasil, é sincretizado com Santo Expedito em algumas regiões e com São Miguel Arcanjo em outras.
De quem Logunedé é filho
Logunedé é filho de Oxum e de Oxóssi. Em algumas tradições, o pai é Erinlé, Orixá caçador e pescador muito próximo de Oxóssi. Em todas as versões, ele reúne a natureza dos dois pais: é pescador e caçador ao mesmo tempo.
Seis meses na água, seis meses na mata
O itan mais conhecido de Logunedé conta que, depois que Oxum e Oxóssi se separaram, os dois passaram a disputar a companhia do filho. Para manter a paz, ficou combinado que o menino viveria seis meses com a mãe, nos rios, pescando e aprendendo os segredos das águas, e seis meses com o pai, nas matas, caçando e aprendendo a arte da flecha. Por isso Logunedé carrega o abebé, o espelho de Oxum, e o ofá, o arco de Oxóssi.
Por viver entre dois mundos, Logunedé representa a capacidade de transitar entre realidades diferentes e o equilíbrio entre forças opostas.
Logunedé e Oxum
Outra história conta que Logunedé foi criado por Oxum longe do pai e que a mãe o escondia nas águas para protegê-lo. Quando ele cresceu, quis conhecer as matas e partiu atrás de Oxóssi. Oxum, com medo de perdê-lo, pediu a Iansã que o vigiasse. Esse cuidado materno explica por que Logunedé é tão ligado à mãe e por que muitos terreiros o veem como um Orixá protegido por várias Iabás, as Orixás femininas.
Características
Logunedé é um Orixá jovem e encantador, ligado à riqueza, à beleza, à juventude, à fartura e à arte. É também associado à astúcia e à capacidade de se adaptar. Em muitas casas é cultuado de forma discreta, sendo mais conhecido no Candomblé do que na Umbanda, onde costuma ser reverenciado dentro das linhas de Oxum e de Oxóssi.
Cores, dia e oferendas
As cores de Logunedé são o azul-turquesa e o amarelo-dourado, uma união das cores de Oxóssi e de Oxum. Seu dia costuma ser a quinta-feira. Entre as oferendas mais comuns estão o milho com coco, as frutas e os peixes, sempre lembrando sua dupla natureza.
Como são os filhos de Logunedé
Os filhos de Logunedé costumam ser pessoas encantadoras, vaidosas, criativas e muito adaptáveis. Herdaram da mãe o gosto pela beleza e a diplomacia, e do pai a curiosidade, a independência e o amor pela natureza. Gostam de novidades, de arte, de viagens e de ambientes alegres. Têm facilidade para transitar entre grupos diferentes e costumam ser queridos por todos.
Por outro lado, podem ser instáveis, mudar de ideia com frequência e ter dificuldade para assumir compromissos longos. Também são conhecidos pela astúcia, que às vezes vira teimosia. Muitos se identificam com profissões ligadas à arte, à moda, à comunicação, ao turismo e ao esporte.
A dualidade de Logunedé
Logunedé é frequentemente descrito como um Orixá que reúne características masculinas e femininas, ou que alterna entre elas. Essa leitura não deve ser confundida com orientação sexual. Na tradição, a dualidade de Logunedé representa a união de dois mundos, a água e a mata, a mãe e o pai, a pesca e a caça. Ele ensina que é possível conciliar forças diferentes dentro de si e que a identidade pode ser rica e plural.
Logunedé no Brasil
O culto a Logunedé é mais presente no Candomblé de nação Ketu, especialmente na Bahia, do que na Umbanda. Nas casas de Umbanda, ele costuma ser lembrado nas giras de Oxum e de Oxóssi, e alguns terreiros fazem festas específicas para ele. Seu sincretismo com Santo Expedito, santo das causas urgentes, vem da imagem de um jovem soldado elegante, e o com São Miguel Arcanjo, da figura de um príncipe guerreiro.
Ervas ligadas a Logunedé
Por unir as energias de Oxum e de Oxóssi, Logunedé recebe ervas dos dois Orixás. Entre as mais citadas estão o alecrim, o macaçá, a colônia, a folha de goiabeira e a alfavaca. Um banho de alegria e criatividade combina alecrim e pétalas de flores amarelas, preparado numa quinta-feira.
Como se conectar com Logunedé no dia a dia
Logunedé se agrada da alegria e da harmonia entre opostos. Para se aproximar dele, muitas pessoas acendem uma vela azul-turquesa ou amarela e oferecem frutas, pedindo equilíbrio entre trabalho e prazer, entre razão e emoção. Passear num lugar onde rio e mata se encontram é uma forma simbólica de honrá-lo.
Perguntas frequentes sobre Logunedé
Logunedé é filho de quem? De Oxum e de Oxóssi, ou de Erinlé, segundo algumas tradições.
Qual a saudação de Logunedé? Logun Ô Akofá!
Logunedé é cultuado na Umbanda? Em algumas casas, sim, geralmente dentro das linhas de Oxum e Oxóssi.
Qual a cor de Logunedé? Azul-turquesa e amarelo-dourado.
Símbolos de Logunedé
Logunedé carrega o ofá, o arco e flecha do pai, e o abebé, o espelho da mãe. Algumas representações mostram também um anzol ou uma rede de pesca, lembrando seu lado pescador, e um capacete enfeitado. Em seus assentamentos, aparecem pedras de rio, conchas, penas e pequenos objetos dourados, reunindo símbolos das águas e das matas.
As origens de Logunedé na África
Na Nigéria, o culto a Logunedé é associado à região de Ilesa, no território do povo ijexá, que é também uma das áreas mais ligadas ao culto de Oxum. Os estudiosos acreditam que Logunedé seja uma divindade regional, ligada aos rios e à caça, que no Brasil ganhou um lugar mais amplo graças às casas de Candomblé de origem ijexá e ketu. O ritmo ijexá, tocado nos atabaques em homenagem a Oxum e a Logunedé, ficou famoso também na música popular brasileira.
O que Logunedé ensina
Logunedé ensina que é possível viver em equilíbrio entre mundos diferentes. Filho de pais separados, ele aprendeu com os dois e soube honrar as duas heranças. Sua história fala de adaptação, de flexibilidade e de respeito às diferenças. Ele lembra também que a juventude é um tempo de experimentação, e que crescer é aprender a integrar o que se recebeu da família com o que se descobre sozinho.
Logunedé e a juventude
Por ser um Orixá jovem, Logunedé é muito invocado para proteger adolescentes e jovens adultos em momentos de escolha, como a decisão sobre a profissão, a saída de casa ou o início de uma nova fase. Muitos pais e mães acendem uma vela para ele pedindo que os filhos encontrem equilíbrio e bons caminhos.
Como fazer uma oferenda a Logunedé com respeito
Uma oferenda simples a Logunedé pode ser feita com uma vela azul-turquesa ou amarela, frutas como melão, manga e uva, um pouco de mel e milho cozido com coco. Os elementos podem ser arrumados num prato de barro ou numa folha de bananeira, num local limpo da casa ou, com orientação do terreiro, perto de um rio que corre pela mata. Antes, pede-se licença, e ao final agradece-se. Depois de um ou dois dias, recolhe-se tudo e devolve-se à natureza.
Por tudo isso, Logunedé é lembrado como o Orixá da harmonia entre forças diferentes e da beleza que nasce do encontro.
Logun Ô Akofá!