Ossaim: o Orixá das folhas, sua história e o segredo das ervas sagradas
Ossaim, também escrito Ossain ou Osanyin, é o Orixá das folhas, das plantas medicinais e do segredo das ervas. Na tradição de matriz africana existe um provérbio que resume sua importância: kò sí ewé, kò sí Òrìsà, ou seja, sem folha não há Orixá. Nenhum ritual acontece sem as ervas, e todas elas pertencem a Ossaim. Sua saudação é Ewé Ó! ou Ewé Assá!
De quem Ossaim é filho
Nas versões mais conhecidas no Brasil, Ossaim é filho de Nanã e irmão de Omulu e de Oxumaré. Em outras tradições, aparece como um Orixá muito antigo, ligado diretamente a Olodumare e a Orunmilá, de quem teria sido companheiro e conselheiro no uso das plantas.
O dono de todas as folhas
No começo dos tempos, Ossaim era o único que conhecia o poder das folhas. Ele guardava todas elas numa cabaça, pendurada num galho, e só ele sabia qual erva curava, qual protegia e qual abria caminhos. Os outros Orixás precisavam pedir a ele qualquer folha para os seus rituais, e isso começou a gerar incômodo.
Xangô, cansado de depender de Ossaim, pediu ajuda a Iansã. Ela soprou um vento tão forte que derrubou a cabaça e espalhou as folhas pelo mundo. Cada Orixá correu e pegou as folhas que conseguiu, e é por isso que cada um tem suas ervas próprias até hoje. Ossaim, porém, gritou Ewé Ó!, chamando as folhas de volta, e muitas obedeceram. Mesmo que os outros Orixás tenham as folhas, só Ossaim conhece as palavras que despertam o poder delas. Por isso, em toda colheita de ervas sagradas, pede-se licença a ele.
Ossaim e Oxóssi
Ossaim vive na mata fechada e tem uma relação próxima e às vezes conflituosa com Oxóssi, o caçador. Em um itan, foi Ossaim quem encantou Oxóssi com uma bebida de ervas, fazendo-o esquecer o caminho de casa. Com o tempo, os dois passaram a dividir a floresta: Oxóssi como provedor e Ossaim como guardião da cura.
Características
Ossaim é representado com uma perna só, um olho só e uma voz fina, sinais de alguém que vive entre dois mundos. Seu símbolo é uma haste de ferro com sete pontas e um pássaro no alto. Ele rege a medicina natural, os banhos, os chás, as defumações e o equilíbrio do corpo.
Cores, dia e sincretismo
As cores de Ossaim são o verde e o branco. Seu dia costuma ser a quinta-feira, que divide com Oxóssi. No sincretismo popular foi associado a São Benedito em algumas regiões. Na Umbanda, muitos terreiros cultuam Ossaim dentro da linha de Oxóssi e reverenciam suas ervas em todos os banhos de descarrego e de energização.
Como são os filhos de Ossaim
Os filhos de Ossaim costumam ser pessoas reservadas, observadoras e muito ligadas à natureza. Têm grande interesse por plantas, medicina, alimentação saudável e terapias naturais. São discretos, guardam segredos com facilidade e preferem trabalhar sozinhos ou em pequenos grupos. Têm uma inteligência prática e paciência para tarefas que exigem detalhe.
Podem parecer frios ou difíceis de conhecer, porque não se abrem facilmente. Quando confiam em alguém, porém, são fiéis e dedicados. Muitos se identificam com profissões ligadas à saúde, à farmácia, à botânica, à agronomia e às terapias complementares.
A importância das folhas nos rituais
Nas religiões de matriz africana, as folhas estão em quase todos os momentos sagrados. São usadas nos banhos de limpeza e de energização, nas defumações, nos amacis (banhos de cabeça que fortalecem a ligação do médium com seus guias), na lavagem de guias e assentamentos e na preparação dos espaços. Cada folha tem uma qualidade: há as que acalmam, as que esquentam, as que limpam e as que atraem.
No Candomblé, as folhas são classificadas também por seus efeitos opostos, chamadas de folhas quentes e folhas frias. As quentes, como a arruda e a pimenteira, são usadas para limpeza forte. As frias, como a colônia e o boldo, acalmam e equilibram. Esse conhecimento é a herança direta de Ossaim.
A colheita das ervas
A tradição recomenda que a colheita das ervas sagradas seja feita com respeito. Antes de retirar uma folha, pede-se licença a Ossaim, muitas vezes deixando uma pequena moeda, um pouco de fumo ou mel no pé da planta. Evita-se arrancar a planta inteira, colhendo apenas o necessário. Em muitas casas, as folhas são colhidas pela manhã, quando ainda estão cheias de orvalho, e algumas ervas só são usadas frescas.
Ervas ligadas a Ossaim
Todas as ervas pertencem a Ossaim, mas algumas são especialmente associadas a ele, como o peregum, a folha-da-costa, a manjerona, a erva-de-santa-luzia, a jarrinha e o capim-limão. Um banho de equilíbrio muito usado combina folhas frescas de boldo e colônia, preparado em água fria, com as folhas maceradas à mão enquanto se faz uma prece.
Como se conectar com Ossaim no dia a dia
A forma mais natural de honrar Ossaim é cuidar das plantas. Manter um pequeno jardim ou vasos com ervas de proteção em casa, como arruda, guiné, alecrim, manjericão e espada-de-são-jorge, é um gesto de respeito e também uma forma de ter à mão as ervas para banhos e defumações. Agradecer à natureza ao usar uma folha é uma prática simples e ligada à sua energia.
Perguntas frequentes sobre Ossaim
Ossaim é cultuado na Umbanda? Sim, embora com menos destaque que no Candomblé. Muitas casas o reverenciam dentro da linha de Oxóssi e em todos os rituais com ervas.
Qual a saudação de Ossaim? Ewé Ó! ou Ewé Assá!, expressões que exaltam as folhas.
Qual a cor de Ossaim? Verde e branco.
Por que se diz que sem folha não há Orixá? Porque nenhum ritual de matriz africana acontece sem as ervas, e o conhecimento delas pertence a Ossaim.
Símbolos de Ossaim
O símbolo de Ossaim é uma haste de ferro com sete pontas voltadas para cima, e no centro um pássaro. Cada ponta representa um galho de árvore, e o pássaro simboliza a ligação entre a terra e o céu, além de ser o mensageiro que leva o poder das folhas. Em algumas casas, Ossaim também é representado com uma cabaça, lembrando o recipiente onde guardava as folhas no início dos tempos, e com um cachimbo, ligado à sua sabedoria.
O que Ossaim ensina
Ossaim ensina que a cura está na natureza e que todo conhecimento deve ser usado com responsabilidade. Ele lembra que nem tudo deve ser revelado a todos, e que certos saberes exigem preparo e respeito. Num tempo de destruição das florestas, sua energia é também um alerta: sem as plantas não há cura, não há alimento e não há vida. Honrar Ossaim é cuidar do meio ambiente, preservar as matas e valorizar o conhecimento tradicional dos povos indígenas, africanos e das benzedeiras, que guardaram por séculos a sabedoria das ervas.
Ossaim e o cuidado com a saúde
É importante lembrar que os banhos e chás de ervas são práticas espirituais e complementares. Algumas plantas usadas nos terreiros, como a arruda, podem causar irritação na pele ou ser perigosas se ingeridas, especialmente por gestantes. A orientação de quem conhece as folhas e o acompanhamento médico continuam indispensáveis.
Ossaim nos terreiros de Umbanda
Nos terreiros de Umbanda, a presença de Ossaim aparece principalmente na preparação dos banhos e das defumações. Antes de uma gira, os médiuns costumam tomar banhos de ervas para limpar e harmonizar a energia, e o terreiro é defumado com folhas secas queimadas num turíbulo. Em todas essas práticas, saúda-se Ossaim pedindo que as folhas despertem sua força. Muitos pontos cantados lembram que cada erva tem um dono e uma função.