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Orixás

Ogum: história completa, de quem é filho e o significado do Orixá guerreiro

23 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

Ogum é o Orixá da guerra, do ferro, da tecnologia e dos caminhos abertos. É o ferreiro divino, aquele que domina o metal e ensinou os seres humanos a fabricar ferramentas para plantar, caçar e se defender. Sua saudação é Ogunhê! ou Patakori Ogum! e ele é um dos Orixás mais populares do Brasil, onde é sincretizado com São Jorge na maior parte do país e com Santo Antônio na Bahia.

De quem Ogum é filho

Na tradição mais difundida nos terreiros brasileiros, Ogum é filho de Iemanjá e irmão mais velho de Oxóssi e de Exu. Na tradição histórica iorubá, ele aparece como filho de Odudua, o fundador da cidade sagrada de Ilê-Ifé, e teria sido rei da cidade de Irê. Por isso, um de seus títulos é Onirê, o senhor de Irê.

Ogum abre os caminhos

No início dos tempos, os Orixás desceram do céu para habitar a Terra, mas encontraram uma mata tão fechada que ninguém conseguia passar. Cada um tentou abrir caminho com as próprias ferramentas e todos falharam. Ogum, então, forjou um facão de ferro e, sozinho, abriu a trilha por onde os outros puderam passar. Em agradecimento, os Orixás quiseram fazê-lo rei, mas ele preferiu continuar nas estradas, pelas matas e pelos campos de batalha. Desde então, Ogum é invocado sempre que alguém precisa abrir um caminho fechado.

O episódio de Irê

O itan mais conhecido de Ogum fala de seu retorno à cidade de Irê depois de muitos anos de guerra. Ele chegou cansado, com sede e com fome, mas ninguém o cumprimentou nem lhe ofereceu nada. Ogum não sabia que naquele dia o povo cumpria um ritual de silêncio em homenagem aos mortos. Sentindo-se desrespeitado, ele tomou o silêncio como ofensa e atacou a cidade. Só parou quando o próprio filho trouxe vinho de palma, comida e roupas novas e explicou o motivo daquele silêncio.

Arrependido, Ogum fincou a espada no chão e desapareceu terra adentro, tornando-se Orixá. Essa história ensina sobre a força da raiva, a importância de ouvir antes de agir e a capacidade de reconhecer o próprio erro. Por isso, em muitos terreiros, os filhos de Ogum são orientados a cuidar do temperamento explosivo.

Ogum na mata e o mel de Oxum

Conta outro itan que, cansado da cidade, Ogum se isolou na floresta. Sem o ferreiro, as ferramentas quebraram, as roças pararam e a fome chegou. Vários Orixás foram buscá-lo e todos voltaram sem sucesso. Foi Oxum quem conseguiu: dançou para ele com seus panos dourados e passou mel em seus lábios até que ele a seguisse de volta à aldeia. A história mostra que a doçura pode vencer onde a força não alcança.

Ogum, Iansã e Xangô

Segundo os itans, Iansã foi a primeira esposa de Ogum. Ela vivia com ele na forja, ajudando a soprar o fogo, até se apaixonar por Xangô e partir com ele. A rivalidade entre Ogum e Xangô aparece em diversas histórias e ajuda a explicar por que, em alguns terreiros, esses Orixás não são saudados juntos.

Domínios, cores e oferendas

Ogum rege o ferro, a guerra, o trabalho, a tecnologia, as estradas e a proteção. Na Umbanda, sua cor mais comum é o vermelho, e em muitas casas também o azul-escuro, cor usada no Candomblé. Seu dia é a terça-feira. Entre as oferendas tradicionais estão o feijão-fradinho, o inhame, a cerveja clara e a manga-espada. Na Umbanda, sua linha é formada principalmente por Caboclos guerreiros, como Ogum Beira-Mar, Ogum Megê, Ogum Rompe-Mato, Ogum Iara e Ogum Naruê.

Como são os filhos de Ogum

Os filhos de Ogum são conhecidos pela coragem, pela energia e pela determinação. São pessoas que não fogem de desafios, que gostam de começar projetos novos e que lideram com naturalidade. Costumam ser diretos, sinceros e práticos, sem paciência para rodeios. Gostam de trabalhar, de produzir e de ver resultado concreto do esforço.

Ao mesmo tempo, podem ser impulsivos, teimosos e explosivos, características lembradas pelo episódio de Irê. Quando erram, porém, sabem reconhecer o erro e pedir desculpas. São leais, protetores com quem amam e capazes de grandes sacrifícios pelos amigos. Muitos se identificam com profissões ligadas à tecnologia, à engenharia, à segurança, às forças armadas, à mecânica e ao esporte.

São Jorge e Ogum no Brasil

A devoção a São Jorge é uma das mais fortes do Brasil, e no Rio de Janeiro ela se confunde com o culto a Ogum. O santo guerreiro, representado montado num cavalo branco e vencendo um dragão com a lança, tornou-se a imagem perfeita para o Orixá que vence as demandas. O dia 23 de abril, dedicado a São Jorge, é feriado estadual no Rio de Janeiro e reúne multidões em igrejas, terreiros e festas de rua, com feijoada, alvorada de fogos e muita cerveja.

Na Bahia, por razões históricas, Ogum foi sincretizado com Santo Antônio, enquanto São Jorge ficou associado a Oxóssi. Essa diferença regional é um bom exemplo de como o sincretismo se formou de maneira distinta em cada parte do país.

As qualidades de Ogum na Umbanda

Na Umbanda, a linha de Ogum é muito ampla e reúne falangeiros que atuam em diferentes campos. Ogum Beira-Mar trabalha próximo de Iemanjá, nas praias. Ogum Iara atua nos rios, perto de Oxum. Ogum Rompe-Mato abre caminhos nas matas, em parceria com Oxóssi. Ogum Megê está ligado às almas e ao cemitério. Ogum Naruê atua na quebra de demandas pesadas, e Ogum Matinata é lembrado como guardião das madrugadas. Essa divisão mostra que a energia de Ogum está presente em todos os lugares onde é preciso abrir passagem.

Ervas e banhos de Ogum

Entre as ervas associadas a Ogum estão a espada-de-são-jorge, a lança-de-são-jorge, a aroeira, a losna, o peregum verde e a arruda. Um banho tradicional para abertura de caminhos leva folhas de aroeira e uma folha de espada-de-são-jorge macerada em água fresca, jogado do pescoço para baixo depois do banho de higiene. Por serem ervas fortes, recomenda-se cuidado com a pele sensível e atenção às orientações do terreiro.

Como se conectar com Ogum no dia a dia

Ogum gosta de ação e de compromisso. Para se aproximar dele, muitas pessoas acendem uma vela vermelha ou azul na terça-feira, fazem uma oração pedindo coragem e proteção e se comprometem com uma atitude concreta. Cuidar das próprias ferramentas de trabalho, manter a disciplina e cumprir prazos são formas simbólicas de honrar o Orixá. Também é comum colocar uma espada-de-são-jorge na entrada de casa como proteção.

Perguntas frequentes sobre Ogum

Ogum é São Jorge? No sincretismo popular do Sudeste, sim. Teologicamente, são figuras de tradições diferentes que foram associadas pela devoção do povo.

Qual a cor de Ogum? Na Umbanda, o vermelho é a mais comum. No Candomblé e em muitas casas de Umbanda, usa-se o azul-escuro.

Qual a comida de Ogum? Feijão-fradinho, inhame assado, manga-espada e cerveja clara estão entre as oferendas mais tradicionais.

Ogum e Xangô são inimigos? Os itans falam de rivalidade, especialmente por causa de Iansã, mas ambos são Orixás que trabalham pela ordem e pela justiça.

Ogum na vida moderna

Por ser o Orixá do ferro e da tecnologia, Ogum é lembrado também como protetor de quem trabalha com máquinas, veículos, computadores e ferramentas. Motoristas, mecânicos, engenheiros e profissionais de tecnologia costumam pedir sua proteção no início do dia.

Ogunhê, meu Pai Ogum!