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Orixás

Iemanjá: a história completa da Rainha do Mar, de quem é filha e seus fundamentos

23 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

Iemanjá é a Orixá do mar, da maternidade, da família e do equilíbrio emocional. É considerada a mãe de quase todos os Orixás e, por isso, a grande mãe da Umbanda. Seu nome vem do iorubá Yèyé omo ejá, “mãe cujos filhos são peixes”. Sua saudação é Odoyá!, ou Odociaba!. No Brasil, é sincretizada com Nossa Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora das Candeias, conforme a região.

De quem Iemanjá é filha

Iemanjá é filha de Olokum, a divindade do oceano profundo. Na África, ela era cultuada como Orixá de um rio, o Ogum, na região de Abeokutá, na Nigéria. Foi no Brasil e em Cuba que ela passou a ser cultuada como rainha do mar, porque os africanos escravizados atravessaram o oceano e passaram a vê-lo como o caminho que ligava a nova terra à terra de origem.

A mãe dos Orixás

Nas versões mais difundidas no Brasil, Iemanjá foi casada com Oxalá e dessa união nasceram muitos Orixás, entre eles Ogum, Oxóssi, Xangô, Oxum, Iansã e, em algumas versões, Exu. Em outros itans, ela também é mãe de Obá. Por ter gerado tantos filhos, é representada com os seios fartos, símbolo da maternidade.

A fuga para o mar

Um dos itans mais conhecidos conta que Iemanjá, depois de deixar Oxalá, casou-se com Okerê, rei de uma cidade iorubá. Ela fez o marido prometer que jamais zombaria de seus seios grandes. Um dia, porém, Okerê voltou para casa embriagado e caçoou do corpo dela. Magoada, Iemanjá fugiu.

Antes de deixar a casa paterna, Olokum tinha dado a ela uma garrafa com uma poção, dizendo que deveria quebrá-la apenas em caso de perigo. Perseguida por Okerê, Iemanjá quebrou a garrafa e se transformou num rio, que correu em direção ao mar. Okerê se transformou numa montanha para barrar seu caminho, mas Iemanjá pediu ajuda a Xangô, que rachou a montanha com um raio. Assim ela chegou ao oceano e se uniu à mãe.

Iemanjá e Omulu

Quando Nanã abandonou o filho Omulu, que nasceu coberto de feridas, foi Iemanjá quem o encontrou na beira do mar, quase devorado pelos caranguejos. Ela o acolheu, curou suas feridas com as águas salgadas e o criou como filho. Essa história mostra o papel de Iemanjá como mãe que acolhe e protege qualquer filho.

As festas de Iemanjá

Iemanjá é homenageada em grandes festas pelo Brasil. Em Salvador, a principal é no dia 2 de fevereiro, no bairro do Rio Vermelho. No Rio de Janeiro e em outras cidades, milhares de pessoas vestem branco e levam flores ao mar na passagem do ano. Em Porto Alegre, a festa acontece no dia 2 de fevereiro, data de Nossa Senhora dos Navegantes.

Cores, dia e oferendas

As cores de Iemanjá são o azul-claro, o branco e o prateado. Seu dia é o sábado. Entre as oferendas mais conhecidas estão as rosas brancas, o perfume de alfazema, o espelho, o pente, o arroz-doce, a canjica branca e o manjar. Ao fazer oferendas no mar, o ideal é usar apenas elementos biodegradáveis, em respeito à própria Orixá.

Como são as filhas e os filhos de Iemanjá

Os filhos de Iemanjá são pessoas acolhedoras, maternais, protetoras e muito ligadas à família. Gostam de cuidar dos outros, de organizar a casa, de reunir as pessoas em volta da mesa. Têm forte senso de responsabilidade e costumam ser o porto seguro dos amigos. São dignos, sérios quando é preciso e muito leais.

Por outro lado, podem ser possessivos, controladores e às vezes guardar mágoas por muito tempo. Assim como o mar, alternam momentos de calmaria e de ressaca. Muitos se identificam com profissões ligadas à educação, à saúde, à assistência social, à gastronomia e ao cuidado com pessoas.

A festa do Rio Vermelho

A festa de 2 de fevereiro no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, é uma das maiores celebrações religiosas a céu aberto do Brasil. Ela começou em 1923, quando pescadores locais, enfrentando escassez de peixes, decidiram fazer uma oferenda a Iemanjá. Hoje, centenas de milhares de pessoas levam flores, perfumes e presentes à Casa de Iemanjá, de onde saem barcos que levam os balaios para o mar. A festa é celebrada com música, samba de roda e muita fé.

A passagem do ano e as sete ondas

A tradição de vestir branco e pular sete ondas na passagem do ano está diretamente ligada a Iemanjá. A prática se popularizou no Rio de Janeiro a partir dos anos 1950, quando terreiros de Umbanda começaram a fazer grandes oferendas nas praias de Copacabana na noite de 31 de dezembro. Pular as ondas, cada uma com um pedido, é uma forma de pedir a bênção da mãe das águas para o novo ciclo.

Ervas e banhos de Iemanjá

Entre as ervas de Iemanjá estão a colônia, a alfazema, a rosa branca, a folha de pata-de-vaca, a camomila e o algodoeiro. Um banho tradicional de equilíbrio emocional leva pétalas de rosas brancas e alfazema, preparado no sábado e jogado do pescoço para baixo com o pedido de paz e serenidade.

Como se conectar com Iemanjá no dia a dia

Iemanjá se agrada do cuidado com a família e com a natureza. Para se aproximar dela, muitas pessoas acendem uma vela azul-clara ou branca no sábado, colocam um copo com água e um pouco de sal ao lado e fazem uma oração pedindo proteção para a casa e para os filhos. Visitar o mar com respeito, agradecer às águas e não poluir as praias são gestos ligados à sua energia.

Perguntas frequentes sobre Iemanjá

Iemanjá é Nossa Senhora? No sincretismo, é associada a Nossa Senhora dos Navegantes, da Conceição e das Candeias, conforme a região.

Qual a cor de Iemanjá? Azul-claro, branco e prateado.

Iemanjá é mãe de quais Orixás? Segundo os itans mais difundidos, de Ogum, Oxóssi, Xangô, Oxum, Iansã e, em algumas versões, Exu e Obá. Também criou Omulu.

O que oferecer a Iemanjá? Flores brancas, perfume de alfazema, espelho, pente e manjar, sempre preferindo materiais biodegradáveis.

Símbolos de Iemanjá

Iemanjá carrega o abebé prateado, um leque com espelho que, como o de Oxum, representa o autoconhecimento e a proteção. Também é associada às conchas, às estrelas-do-mar, aos peixes e às pérolas. Na imagem popular brasileira, ela aparece como uma mulher de longos cabelos negros e vestido azul, saindo das águas com os braços abertos.

As qualidades de Iemanjá

Iemanjá tem diversas qualidades. Iemanjá Ogunté é guerreira e ligada a Ogum. Iemanjá Assabá é a que fia e tece, ligada à paciência. Iemanjá Sobá é a mais velha. Iemanjá Iewá e Iemanjá Acurá são outras formas conhecidas. Cada uma tem características próprias, mas todas guardam o sentido de maternidade e de acolhimento.

O que Iemanjá ensina

Iemanjá ensina que a maternidade vai além de gerar filhos. Ela acolheu Omulu, que não era seu, e cuidou dele como se fosse. Sua história ensina também a dignidade: quando foi desrespeitada, ela partiu e encontrou seu lugar. Iemanjá lembra que o cuidado com os outros precisa vir acompanhado do respeito por si mesma.

Como fazer uma oferenda a Iemanjá com respeito

Uma oferenda simples a Iemanjá pode ser feita com rosas brancas, uma vela azul-clara ou branca, perfume de alfazema e um pequeno espelho, colocados num local limpo da casa ou levados ao mar. Ao entregar flores nas ondas, o ideal é retirar os plásticos e os laços, oferecendo apenas as flores. Barquinhos de papel e balaios de palha são opções mais seguras para o ambiente marinho do que objetos de vidro ou de plástico.