Saudações dos Orixás e das entidades: o que significa cada uma
Nos terreiros de Umbanda e de Candomblé, cada Orixá e cada entidade tem uma saudação própria. Essas palavras são ditas quando o Orixá é lembrado, quando uma entidade chega na gira, quando se acende uma vela ou quando se passa por um lugar sagrado. Elas expressam respeito, alegria e reverência. Muitas saudações vêm da língua iorubá e têm significados profundos. Neste texto, você conhece as principais saudações e o que cada uma quer dizer.
O que é uma saudação
A saudação é uma forma de cumprimentar o Orixá ou a entidade, reconhecendo sua presença e sua força. É como dizer “salve” ou “bênção” a alguém muito respeitado. Nos terreiros, as saudações são gritadas em coro quando um Orixá é homenageado, ditas em voz baixa nas orações e repetidas pelas próprias entidades quando chegam.
Tabela das saudações dos Orixás
| Orixá | Saudação | Significado aproximado |
|---|---|---|
| Exu | Laroyê! Exu Mojubá! | Salve o mensageiro; eu te saúdo com respeito |
| Ogum | Ogunhê! Patakori Ogum! | Salve Ogum; Ogum é o maior |
| Oxóssi | Okê Arô! | Salve o grande caçador |
| Ossaim | Ewé Ó! Ewé Assá! | Salve as folhas |
| Xangô | Kaô Kabecilê! | Venham ver o rei descer à terra |
| Iansã | Eparrey Oyá! | Exclamação de admiração e espanto |
| Oxum | Ora Yê Yê Ô! | Salve a mãe benevolente |
| Logunedé | Logun Ô Akofá! | Salve o caçador do arco |
| Iemanjá | Odoyá! Odociaba! | Salve a mãe das águas |
| Nanã | Saluba Nanã! | Nós nos refugiamos em Nanã |
| Obaluaiê e Omulu | Atotô! | Silêncio, respeito ao rei da terra |
| Oxumaré | Arroboboi! | Salve a serpente sagrada |
| Ewá | Riró Ewá! | Salve a doce Ewá |
| Obá | Obá Xirê! | Salve a rainha que dança |
| Ibeji | Onibeijada! | Salve os gêmeos |
| Oxalá | Epa Babá! Exê ê Babá! | Salve o pai |
O significado das principais saudações
Laroyê, a saudação de Exu, é uma das mais conhecidas. Muitos estudiosos traduzem como uma exaltação ao mensageiro, e Exu Mojubá como “Exu, eu te saúdo com respeito”, já que mojubá vem de um termo iorubá que significa prestar homenagem.
Ogunhê é uma forma de saudar Ogum, e Patakori, usada com frequência, exalta Ogum como o maior, o primeiro entre os guerreiros. Okê Arô, para Oxóssi, celebra o caçador, e o grito okê também é usado para os Caboclos.
Kaô Kabecilê, de Xangô, costuma ser traduzido como “venham ver o rei descer à terra” ou “permita-nos olhar para Vossa Majestade”, expressando a reverência ao rei de Oyó. Eparrey, de Iansã, é um grito de admiração diante da força da Orixá dos ventos.
Ora Yê Yê Ô, de Oxum, celebra a mãe bondosa e doce. Odoyá, de Iemanjá, saúda a mãe das águas. Saluba, de Nanã, expressa a ideia de buscar refúgio na mais velha das Orixás. Atotô, de Omulu, pede silêncio e respeito diante do Orixá da cura e da doença. Epa Babá, de Oxalá, saúda o grande pai.
Saudações das entidades da Umbanda
As entidades da Umbanda também têm suas saudações. Os Caboclos são saudados com Okê Caboclo! Os Pretos-Velhos, com Adorei as Almas! ou Salve as Almas! As Crianças, com Onibeijada! ou Salve as Crianças! Os Exus e as Pombagiras, com Laroyê! e Mojubá! Os Baianos, com Salve a Bahia! Os Boiadeiros, com Getruá! ou Xetruá! Os Marinheiros, com Salve a Marujada! Os Ciganos, com Optchá! ou Arriba! Os Malandros, com Salve a Malandragem!
Saravá
Saravá é uma das saudações mais usadas na Umbanda e serve para todos os Orixás e entidades. Há diferentes explicações para sua origem. Uma delas diz que vem do português “salvar”, pronunciado à maneira dos povos bantos. Outra a relaciona a palavras do quimbundo, língua de Angola. De qualquer forma, saravá significa “salve” e expressa saudação, bênção e respeito.
Como usar as saudações
As saudações são usadas em vários momentos. Ao entrar num terreiro, é comum saudar Exu na porteira e Oxalá no congá. Ao acender uma vela, saúda-se o Orixá a quem ela é dedicada. Durante a gira, quando um Orixá é homenageado nos pontos cantados, todos gritam a saudação em coro. Quando uma entidade chega, os médiuns e os consulentes a cumprimentam com a saudação de sua linha.
Também é comum saudar os Orixás ao passar por seus lugares sagrados: o mar para Iemanjá, a cachoeira para Oxum, a mata para Oxóssi, a pedreira para Xangô, o cemitério para Omulu, a encruzilhada para Exu.
Variações entre os terreiros
Assim como as cores e os dias da semana, as saudações podem variar um pouco entre os terreiros e entre as tradições. A grafia também muda, porque as palavras vêm de línguas africanas que foram transmitidas oralmente. Laroyê, por exemplo, também é escrito Laroiê ou Laroye. Kaô Kabecilê aparece como Kawó Kabiyesile. Essas diferenças não mudam o sentido da saudação.
Perguntas frequentes sobre as saudações
Qual a saudação de Ogum? Ogunhê! ou Patakori Ogum!
Qual a saudação de Iemanjá? Odoyá!
O que significa Laroyê? É a saudação a Exu, uma exaltação ao mensageiro.
O que significa Saravá? Salve, uma saudação geral da Umbanda.
Conclusão
As saudações dos Orixás são uma forma de expressar respeito, alegria e reverência. Muitas delas vêm da língua iorubá e carregam séculos de história. Conhecer seus significados ajuda a viver a fé com mais consciência e a se conectar com a ancestralidade africana da Umbanda. Saravá!
O pedido de bênção
Além das saudações aos Orixás, é comum nos terreiros pedir a bênção aos mais velhos e às entidades. O médium mais novo costuma dizer “a bênção, meu pai” ou “a bênção, minha mãe” ao dirigente do terreiro, e recebe como resposta “Oxalá te abençoe” ou uma fórmula semelhante. Com os Pretos-Velhos, o pedido de bênção é feito com o consulente abaixado, em sinal de respeito. Esse gesto mostra a importância da hierarquia e do respeito aos mais experientes nas religiões de matriz africana.
Saudações ao entrar no terreiro
Ao chegar a um terreiro, há uma sequência de saudações recomendada em muitas casas. Primeiro, saúda-se Exu na porteira, pedindo licença para entrar. Depois, saúda-se o congá, o altar principal, curvando-se diante de Oxalá. Em seguida, cumprimenta-se o dirigente e os mais velhos da casa. Essa sequência expressa o respeito ao espaço sagrado e às pessoas que cuidam dele.
As saudações e a língua iorubá
O iorubá é uma língua tonal, ou seja, o tom da voz muda o sentido das palavras. Por isso, muitas saudações perderam parte de seu significado original ao chegar ao Brasil, já que foram transmitidas oralmente por pessoas que, muitas vezes, já não falavam a língua. Mesmo assim, elas mantiveram sua força simbólica e continuam sendo ditas com reverência em todo o país. Hoje, há um movimento crescente de estudo do iorubá entre os praticantes, que buscam entender melhor o sentido das palavras sagradas.
Saudar os Orixás no dia a dia
Muitos umbandistas saúdam os Orixás em pequenos gestos do cotidiano. Ao ver o mar, dizem Odoyá. Ao ouvir um trovão, Kaô Kabecilê. Ao passar por uma cachoeira, Ora Yê Yê Ô. Ao ver um arco-íris, Arroboboi. Esse hábito transforma a natureza num lembrete constante da presença dos Orixás.
Por isso, aprender as saudações é também aprender um pouco da história e da língua dos povos que trouxeram os Orixás ao Brasil.
Nas festas dos terreiros, o momento em que todos gritam juntos a saudação do Orixá homenageado é um dos mais emocionantes, unindo vozes de diferentes idades numa só reverência.
Quem está começando pode aprender as saudações aos poucos, começando pelas do próprio Orixá de cabeça e das linhas que mais aparecem no terreiro que frequenta. Com o tempo, elas passam a fazer parte natural do vocabulário e da fé.